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terça-feira, 10 de agosto de 2010

FEITIÇO


A temporal estar em teu canto
rouxinol pasmo encantado se ajeita
sobre o arbusto dos desejos que brotam
carregado-o de frutos maduros e doces
- sonhos esperando sua farta colheita

sentindo o acariciar veludo agudo
das finas brisas dos teus versos
teus cabelos veios de noite negra
trepadeiras que se enredam firmes
alegres nos lábios do poema mudo...

querendo as estrelas liquidas centelhas
dos seus olhos negros para guiar-me
por cachoeiras e fontes do teu paraíso...
canto a lua um feitiço ígneo de feiticeiro
bruxo, em teu carisma inato... enfeitiçado!

Edgar Alejandro

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ilimitado


No momento que se habita um corpo de amor
como sendo de toda a natureza seu legado
se é ao espaço do prazer e desejo, limitado
no apego sujeito ao caos dilacerante... Da dor

no instante que se usa a mente pensante
como espada aguda, escudo e manto sagrado
aos sonhos de conquista se é subordinado
ao tempo ilusório futuro-passado estressante

no lapso em que a energia viva vem e vai
pode-se sentir em si o ilimitado no seu fluxo
de certo, ser anexo a felicidade da realidade.

porém, só e somente só neste momento!
De percepção pura da sua intima essência
o homem consciente saberá da liberdade.

Edgar Alejandro

Hechizo



Acumulado en el deseo tirano traidor y causal
que vaga hechicero por el infierno del cuerpo
quiero entrar en el cielo embriagante, a tiempo
del cupido tuyo misterioso y dardo sensual...

pecador sueño licores en las noches amenas
por el si de tus labios noble dama imaginaria
diga que me ama, tal musgo a la piedra calcária
suelte su beso en la brisa y espante las hienas.

exorcize los elementos inútiles de tu duro juego
para tenerme un guerrero rendido a tu contento
mira aquí… mira para mí y verás alguien dolorido.

escruta mis ojos y verás en destellos de silencio
escucha todos los anhelos que mi alma implora
dirán que sin tu amor, mi corazón será partido.

Edgar Alejandro

Mãos erradas



Fingir estar por fora das locas conhecidas
para que? Se nunca saiu daí foi ledo engano
ainda verte mel citrino nas fontes aquecidas
seus encantos missionários em outro mano

anseios escorregam pelos lábios em luxúria
tomam forma de ternura e pejo... Imaginário
o amor que fala é só fazer amor escrito... Seria
em papeis virtuais que somem da memória

pássaros sem assas levantam vôo do nicho
levam em seu peito de plástico um afago
delírios, sonhos possessivos de falsas fadas

fumaça de narguilé que entra dissimulado
e se expele sem dar muita importância
porem, se dá quando se vê de mãos dadas.

Edgar Alejandro

NÃO


Não mais terei teu cheiro de alelí e pinho
não virá carente e sonâmbulo na narina
como fantasma fantasme sutil que fascina
voltou pra mata rala do sul... Antigo ninho.

para guardar os beijos que não amaste
terás o carvão em brasas do recuerdo
falo do meu e não do calo acostumado
que por vontade febril nunca extirpaste

tampouco tuas alegres meias luas
em tesão extremo contaram histórias
na dupla carência dos meus lábios

nem rimaras minha voz de tom grave
pedindo para fazer amor, te dar carinho
equânime direi: já têm dono teus meios!

Edgar Alejandro

COMO


Como poderia-se chamar de amor
alguém distante, em impressão digital
se quando na primeira tentativa real
o encontro não se cumpre por temor?

se maquiamos o rosto numa redoma
um vidro simples, fake... Posto jóia cara
esconde, se somos pessoa sadia ou rara
para que o dito amor caia... Na broma

neste mundo onde se acredita em tudo
será que o cobre que brilha, é ouro do tolo?
Errônea mente amando perdida mente...

chamam o engano de amor puro... de anjo
amor é algo prático, do dia a dia água clara
expressar seu sentir alguém pressente.

Edgar Alejandro

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A LUA QUE CRIAMOS


Antes, que tudo se apague ao anoitecer
e só reine a escuridão prenhe de olvido
quando a luz benigna abençoa o perdido
deveríamos ser, mas, optamos não ser

poderíamos ser pelo sentir, céu de alegria
um arbusto, um fruto, uma flor, uma vida
há tanta esperança, a dita não foi esquecida
quando a respiração, ainda não cansa...

metidos na ampulheta do tempo, a espera
cobertos na lama do medo, o tédio que vence
produtos do surrealismo lírico do sonho...

flores de plástico adornam o jardim da lua
que criamos ao reflexo nosso... não há luz
nenhum vento, chuva... paisagem medonho!

Edgar Alejandro

Hechizo


Acumulado en el deseo tirano traidor y causal
que vaga hechicero por el infierno del cuerpo
quiero entrar en el cielo embriagante, a tiempo
del cupido tuyo misterioso y dardo sensual...

pecador sueño licores en las noches amenas
por el si de tus labios noble dama imaginaria
diga que me ama, tal musgo a la piedra calcária
suelte su beso en la brisa y espante las hienas.

exorcize los elementos inútiles de tu duro juego
para tenerme un guerrero rendido a tu contento
mira aquí… mira para mí y verás alguien dolorido.

escruta mis ojos y verás en destellos de silencio
escucha todos los anhelos que mi alma implora
dirán que sin tu amor, mi corazón será partido.

Edgar Alejandro

Ilimitado


No momento que se habita um corpo de amor
como sendo de toda a natureza seu legado
se é ao espaço do prazer e desejo, limitado
no apego sujeito ao caos dilacerante... da dor

no instante que se usa a mente pensante
como espada aguda, escudo e manto sagrado
aos sonhos de conquista se é subordinado
ao tempo ilusório futuro-passado estressante

no lapso em que a energia viva vem e vai
pode-se sentir em si o ilimitado no seu fluxo
de certo, ser anexo a felicidade da realidade.

porém, só e somente só neste momento!
de percepção pura da sua intima essência
o homem consciente saberá da liberdade.

Edgar Alejandro

CAMPO OCULTO...



Algo canta entusiasta além da normal escuta
como aglomerado de pássaros viageiros
que ao longe cortam o azul... não prisioneiros
assobiam louvor ao vento que os veste na labuta

qual murmúrio silente no escuro chão ignorado
que desafia a dura firmeza da rocha funda
na teia de raízes que a densa floresta, esconda
busca absorver vigor para seu corpo esverdeado

tal barulho de atrito das correntezas cobras
submersas num manancial oculto e invisíveis
frescas, límpidas que não recebem sobras...

não é permitido ouvir a ode da vida oculto
somente aquele como morto rendido ao amor
enterra-se no fundo deste campo in-culto.

Edgar Alejandro

quinta-feira, 20 de maio de 2010

PERDIDO


Afirmar possuir o amor que traz liberdade
de certo só se tem na alforge uma migalha...
perdido no complexo de conceitos, sua malha
a incerteza do sentir, traz para si leviandade

como chegar na dor consciente do que quer
se nem sequer procura dentro do que tem
para provar em si se é possível ter o bem
morre ausente e sedento da verdade de ser

há muito tempo se fala, se repete como ecos
o amor esta dentro de ti e se for alcançável
porque só se apaixonar e surtar nos becos?

Farejar pegadas fantasmas qual cão de caça
em altares, templos, ver morto como vivo
não sabe como voltar... Esta perdido da casa.

Edgar Alejandro

SAUDADE



Do teu sorriso malicioso, da tristeza... arredio
tuas palavras sutis, capciosas risonhas e soltas
relembrando casos, lençóis, fronhas e revoltas
que me tiravam do serio e do bordel do tédio!

Tua boca de oásis regando a secura na minha
língua lince a proferir veredas nos meus dentes
se disseres que não fui marcado por ti... Mentes
pelo vinho erótico exótico que bebi em tua vinha

ah! Teus alegres par de ousados clones rebitados
a contar histórias carregadas de desejo e luxúria
aos meus lábios nas noites de amor e ensejo...

tua voz de tom baixo dizendo: vem amor sou tua!
Apontando para o estuário fecundo e encorpado
que iracundo de tesão reclamava por meu beijo.

Edgar Alejandro

ESQUADRANDO


Tem pessoas que pensam que poesia é um oficio
juntar sílaba de dez em dez para que cumpra o dito
como se a vida fosse às trilhas de um trem maldito
onde converge choro, amores de luto e malefício...

Não se pode enquadrar a beleza ao nosso capricho
é impossível mudar o curso do sol e seu desígnio
acordar a cor adormecida boa, do negro escárnio
luz remova a ilusão nefasta que a esconde em nicho.

Sempre se terá alguém que julgue ou justifique
estar errado o que alguém com fluidez menciona
palavras singelas, mas, que o coração emociona...

Não tem linguagem ou técnica mental que abrace
em toda plenitude o sentir emotivo da alma em cio
é como querer que um pássaro cante no vazio...

Edgar Alejandro

REALIDADE ÚLTIMA


No mundo a última carta teremos um dia
em algum momento a existência defronta
"tem de haver algo mais!" não só afronta
do que o dito e proposto... Nesta comédia

somos pássaros fechados vivos nesta cela
atados pelo fio da vida voando em círculos
esforça-se, tenta sair, mas... Em casulos
terminamos descansando na gravidade dela

o parâmetro não partido, inócuo, não dúbio
conjuga o presente ambíguo do ser e não ser
nascer, morrer da carne num eterno instante

realizar ao senti-lo que tudo já esta pronto
o mais belo poema vivo... Em sentimento vida
pleno de liberdade no agora belo e constante!

Edgar Alejandro

JURAS SECRETAS...



Amo-te disseste e meu corpo perdeu peso, levitava
pois minha alma alcançara os umbrais de la dita
logo o silencio frio da noite tomou espaço... desdita
no escuro manto, apaixonado em saudade sufocava

acompanho-te aonde fores jurastes sobre pranto
e os caminhos se abriram sob a palma da mão
nem saiu a estrela d'alva, cama vazia de antemão
te fostes do meu lado deixando o desencanto

o coração calou como os pássaros calam de súbito
pressentem o terremoto e assumem o tenaz medo
no peso da solidão, tudo ficou distante... infinito

por toda vida a ouvi cochichar fazendo amor, boba
nos olhos aninhou uma lágrima, uma alegria úmida
as bocas vertente de mosto... agora são uma cova.

Edgar Alejandro

terça-feira, 18 de maio de 2010

PENALIZADO


Não sei de que modo parabólico ou simples
brincalhão ou serio, tenho que lhe insinuar
que anseio seu sim o quanto a quero amar
se na menor suspeita se vira pelo invés...

se fico perto... e aceno um desejo obsceno
seu ato de tarde que vira as costas ao sol
apática ao afago da minha fronha e lençol
deixa-me aflito como quem perde terreno

abre abismo escuro, nebuloso de dúvida
tal cegueira de incerteza em negra noite
não deixa ver a estrela em mim reluzente

estou estático aqui penalizado e apaixonado
e finge que nem nota, muda a rota... Revolta
seus olhos lentos dizem talvez um dia... Solta.

Edgar Alejandro

SUTIL VENENO


A tristeza toma forma de coma hipnótica
gosma branca de insónia compulsivo
como veneno de cobra lento intoxica
o nervo distorce e o denigre depressivo

em sombra de dúvidas cobre a caverna
escuro pensar, tolos constrangimentos
que aniquila sua existência e a governa
num arrepender dos perdidos momentos

densa nuvem abraça a alma e a carcome
como a noite esconde o verde vivo a abafa
debilita seu poder de ver e amar a vida...

seu antídoto não é friccionar uma garrafa
ou nas drogas psicotrópicas ou psicopáticas
e sim no sol do amor inerente... Há saída!

Edgar Alejandro

NA REDE... CAÇA UMA ESTRELA



Sua vontade salta gotas pelos poros
aconchega no ensejo salgando pelos
flui livre na paixão que o atormenta
conjuga o verbo no nervo que o tenta

sem controle escorrega bêbado na viola
arroga-se na língua suspira lambe, grela
cumpre a rota atinge em cheio seu legado
os pomos certos são parte do seu achado

ávido suga cego morde o pipo, lembra
abre um lago de desejo... Sobre a rede
enrolado braços, pernas, não da trela

em atrito pelos peles se incendeiam!
A mão garimpa com carinho na boceta
o espaço some, não vê a fugaz estrela.

Edgar Alejandro

TRANSPARÊNCIA


Assim como uma gota de água mitiga
para ser, se equilibra na pétala da rosa
ainda que a aderência que a sujeita possa
ser frágil frente ao vento que a fustiga

ela confia e fica em serena transparência
sua beleza esta a se mostra imanente
na atitude inata ao refletir o ambiente
na completa tranquilidade, é sua ciência

ainda que haja movimento ela se prende
ao único alicerce de uma folha e convive
o tempo que tenha pra viver como uma bolha

aplicar em nós este dilema que a acompanha
nesta existência absorver este entendimento
desfrutar desta vida pois não se tem escolha.

Edgar Alejandro

segunda-feira, 17 de maio de 2010

DESEJO DUNA


obcecada no seu anseio busca por atalhos
preocupada... Procura a maneira de trocar
a liberdade pelo prazer pequeno de um lar
imagina e não vê o perigo frete aos olhos

dois círculos negros marcam sua as - sintonia
rodeiam suas janelas queixas, olhar lacuna
dormiu nada acossada, seca, qual uma duna
céu azul lá fora... Ela cansada pela insônia

move-se no desejo de conquistar um amor
atrás da porta não ouve os ventos íntimos
a todo custo quer dar este rumo a sua vida...

eis-la aqui com a alforje furada de seu tempo
inocente suspiro do ar a acaricia e não sente...
centrada no prumo da sua angustia mórbida.

Edgar Alejandro