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quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Pra Ti Reggina

Reggina! Tua vida são poemas...
Dos mais belos que há;
Tua vida são versos;
Que por mim foram criados.
Oh! Reggina...
Tua vida é prosas e versos;
Sem rimas arranjadas:
São poesias escritas,
De poetisa que apareceu do nada.
Reggina! Tua beleza é um sonho...
Sonho!Do poeta se encantar;
No teu sorriso tens um brilho:
Que o poeta fez brilhar.
Reggina! És muito bela...
De uma beleza sem igual;
No meu Real Jardim:
Eu te vou semear;
E no meu coração,
Eu te vou preservar.

(Santa Cruz)
http://silenciodosmeussonhos.blogspot.com

Beijos meus....Reggina Moon
www.versidamori.blogspot.com

terça-feira, 10 de agosto de 2010

SONETO AO TEMPO


Na areia, aonde o mar encerra em ondas seu curso,
Fico olhando o horizonte, a brisa é leve, suave,
Meus pensamentos voam, as nuvens brincam no céu,
Sinto a liberdade daquele momento breve, que me leva...

Em poucos instantes, a minha alma leve flutua, nua,
longe das angústias desta vida, de seres camuflados,
mascarados de sorrisos, de palavras sem sentido,
pois sou eu que faço minha sombra, meu castelo na areia.

Ainda de frente ao mar, as lembranças fazem sua dança,
bailam ao meu redor, feito bailarinas em um palco, giram,
entre sorrisos e lágrimas, surgem e como num encanto se vão...

Assim, as marcas do tempo, em minha memória, presentes,
dispersas seguem seu rumo, e fico com um sorriso leve,
Tempo que se foi, na brisa, nas nuvens, nas ondas...em mim.

(Reggina Moon)

domingo, 4 de abril de 2010

O Amor

Somos feitos de contradições
Queria apenas ser amor
Palavra que lembra um diamante

Que precisa ser lapidado
Polido
De modo artesanal
O toque sensível Suave
Eterno

Um brilho que jamais perde seu encanto
A cada dia tem um valor especial
Esse amor não é o amor em valor meramente comercial
Um amor puro
Cristalino

Um amor que o tempo não o torna sem nitidez
Pois o brilho é contínuo
Delicado
Ao mesmo tempo forte com personalidade
Um amor verdadeiro
Legítimo

Guardado a sete chaves
Mas exposto em uma redoma de vidro para ser apreciado
Ah! O amor...

Que poder tem essa palavra mágica que nos fortalece e nos dá segurança
E nos deixa em paz

(Tereza Cristina Saraiva)

®Verso & Prosa
www.versoeprosapoemas.blogspot.com

Deixa acontecer

Ah, não tente explicar
Nem se desculpar
Nem tente esconder
Se vem do coração
Não tem jeito, não
Deixa acontecer

O amor é essa força incontida
Desarruma a cama e a vida
Nos fere, maltrata e seduz
É feito uma estrela cadente
Que risca o caminho da gente
Nos enche de força e de luz

Vai debochar da dor
Sem nenhum pudor
Nem medo qualquer
Ah, sendo por amor
Seja como for
E o que Deus quiser

(Vinícius de Moraes)

®Versi D'Amori
http://www.versidamori.blogspot.com/

Eternamente sua...

Serei eternamente sua pois,
só tu conheces meu cheiro,
meu gosto e meu corpo.
Tu podes me magoar,
me fazer calar e,
ainda assim serei eternamente sua.

Deixarei que beijes outras bocas,
que toques outros corpos,
que sintas o prazer de outros gemidos
e que conheças o íntimo de outros seres.

Deixarei.
Para ter a certeza de que
voltarás e que entenderás que
quando beijaste outra boca
– era a minha que tu querias,
que quando tocaste outro corpo
– era o meu que querias tocar,
que quando sentiste o prazer de outro gemido
– era o meu que querias sentir e, que,
finalmente, quando conheceste
o interior de outro ser
– era o meu interior que tu buscavas
em tuas infinitas procuras.

Deixarei-te livre, para teres a certeza
de que és meu e, assim voltar
com a certeza de que ficarás.

E então, depois de tantas buscas infindas suas,
revelarei-te que estava a sua espera,
assim como sempre estive.
E seremos eternamente nós.

(Tatiana V. Mattos)

®Pecado Poético
http://www.pecadopoetico.blogspot.com

Tango

Chorava um bandoneon
Num canto de bar.
Meu vestido vermelho
O cabelo preso numa flor,
E o tango falando de amor,
Contrastavam com a luz neon.

Nossos corpos em uníssono,
Um balé tão sensual…
Movimentos em compasso,
Acompanhavam cada passo
Deste tango figurado,
Como um estranho ritual.

Batia o coração descompassado!
Teus lábios sensuais me enfetiçavam,
Tuas mãos macias brincavam em mim
Como o vento brinca, namorando
As flores de um jardim.

Teus olhos escuros, meio ciganos,
Insinuavam promessas,
Dessas, que misturam
Amor, desejo, paixão e mais, muito mais…

Um perfume no ar
E abraçado ao violino
Solitário bailarino,
O bandoneon a chorar
Um velho tango de amor,
Naquele canto de bar!

(C. Almeida Stella)

®Versi D'Amori
www.versidamori.blogspot.com

Soneto do Amor Maior

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo...

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

(Vinícius de Moraes)

sábado, 3 de abril de 2010

Cântico de Lívia

Alma gêmea de minha alma
Flor de luz de minha vida
Sublime estrela caida
Das belezas da amplidão...

Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.

Vinhas na benção das flores
Da divina claridade,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor!

És meu tesouro infinito.
Juro-te eterna aliança
Porque sou tua esperança,
Como és todo meu amor!!

Alma gêmea de minha alma
Se eu te perder algum dia
Serei tua escura agonia,
Da saudade nos seus véus...

Se um dia me abandonares
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores
Da claridade dos céus.

(Emmanuel / Chico Xavier)


Obsessão do Mar Oceano

Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

(Mário Quintana)


®Poesia no Tempo
www.poesianotempo.blogspot.com

Ouvir estrelas

Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas!

(Olavo Bilac)

®Versi D'Amori
http://www.versidamori.blogspot.com/

Palavras ao Vento

Neste momento,
penso em você e então
quisera me transformar em vento.

E se assim fosse,
chegaria agora como brisa fresca
e tocaria leve sua janela.

E se você me escuta e
me permite entrar,
em você vou me enroscar
quase sem o tocar.

Vou roçar nos seus cabelos,
soprar mansinho no ouvido,
beijar sua boca macia,
o embalar no meu carinho.

Mas eu não sou vento...
Agora sou só pensamento e
estou pensando em você.

E se abrir sua janela,
eu estou chegando aí,
agora...neste momento,
em pensamento...no vento.

(Roberto Shinyashiki)

®Verso & Prosa
www.versoeprosapoemas.blogspot.com

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Beatitude

Corta-me o espírito de chagas!
Põe-me aflições em toda a vida:
Não me ouvirás queixas nem pragas ...

Eu já nasci desiludida,
De alma votada ao sofrimento
E com renúncias de suicida ...

Sobre o meu grande desalento,
Tudo, mas tudo, passa breve,
Breve, alto e longe como o vento ...

Tudo, mas tudo, passa leve,
Numa sombra muito fugace,
- Sombra de neve sobre neve ... –

Não deixando na minha face
Nem mais surpresas nem mais sustos:
- É como, até, se não passasse ...

Todos os fins são bons e justos ...
Alma desfeita, corpo exausto,
Olho as coisas de olhos augustos ...

Dou-lhes nimbos irreais de fausto,
Numa grande benevolência
De quem nascei u para o holocausto!

Empresto ao mundo outra aparência
E às palavras outra pronúncia,
Na suprema benevolência

De quem nasceu para a Renúncia! ...

(Cecília Meireles)

®Poesia no Tempo
http://www.poesianotempo.blogspot.com

Queria amar um poeta

Queria amar um Poeta,
Ser a musa predileta,
Sua fonte de inspiração;
Banhar-me toda em poesia,
Na luz que o verso irradia,
Inebriar de emoção...

Ter um Poeta em meu leito,
Refugiar-me em seu peito
Juntar poema e paixão...
Noites... manhãs coloridas,
Auroras, tardes floridas...
Será uma celebração!...

Tanto desejo acalento,
Que há de chegar com o vento
De mágica sedução,
Satisfazendo esta ânsia,
Em perfeita consonância:
Corpo, rima e coração...

Uniremos pensamentos
Com tantos encantamentos
Que até a alma suspira...
E quando o tempo passar
Sempre vão me acalentar
As letras de sua lira...

Enquanto sigo a esperar-te,
Procurando em toda parte,
Pra deitar no abraço teu,
No céu a esperança ponho,
Indagando, enquanto sonho:
- Onde estás, Poeta meu?...

(Oriza Martins)

®Versi D'Amori
http://www.versidamori.blogspot.com

Te Amo!

Sobre todas as coisas, te amo
Te amo por tua beleza, cravejada de ouro e cinzas

Te amo por esta branda fúria que trazes no olhar,
que quando não me fuzilas,
me elevas ao último céu

Te amo pelo desespero que me provocas,
e por esta repentina paz que me despertas,
pouco antes de minha morte

Te amo por nunca me ouvires quando te chamo,
e por estares sempre presente,
quando menos te quero

Te amo por tuas mentiras mal contadas,
das quais, por vezes faço questão de acreditar,
e pela incredulidade que me fazes sentir,
diante das tuas mais obscenas verdades ...

Por fim,te amo, porque é só o que sei fazer;
te amo simplesmente pelo que tu és,
e pelo que nunca fostes.

(Marcelo Roque)

®Verso & Prosa
www.versoeprosapoemas.blogspot.com

Inconfesso Desejo

Queria ter coragem,
Para falar deste segredo,
Queria poder declarar ao mundo,
Este amor!

Não me falta vontade,
Não me falta desejo,
Você é minha vontade.
Meu maior desejo...

Queria poder gritar,
Esta loucura saudável,
Que é estar em teus braços,
Perdido pelos teus beijos,

Sentindo-me louco de desejo.
Queria recitar versos,
Cantar aos quatros ventos,
As palavras que brotam,

Você é a inspiração.
Minha motivação.
Queria falar dos sonhos,
Dizer os meus secretos desejos,

Que é largar tudo,
Para viver com você,
Este inconfesso desejo!

(Carlos Drummond de Andrade)

®Verso & Prosa Poemas
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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Exótica

Vamos os dois sonhar no jardim solitário:
ali, sob a folhagem do louro, as violetas
e as rosas perfumam um místico sacrário
erguido para as noivas dos pálidos poetas.

A lua já nasceu e o seu níveo sudário
inunda de tristeza as distantes silhuetas,
e, ao frescor da brisa nocturna, o incensário
da terra embriaga as solidões quietas.

Vamos os dois sonhar sob a morna folhagem
do louro: as grinaldas da argentina ramagem
deixam ver o infinito daqueles céus profundos.

Minhas mãos enlaçadas em tuas mãos de nardo,
passaremos a noite, olhando o doce e tardo
titila sonolento dos mais longínquos mundos.

(Juan Ramón Jimenez)

®Verso & Prosa
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Hoje que estou só

Bem, hoje que estou só e posso ver
Com o poder de ver do coração
Quanto não sou, quanto não posso ser,
Quanto, se o for, serei em vão.

Hoje, vou confessar, quero sentir-me
Definitivamente ser ninguém,
E de mim mesmo, altivo, demitir-me
Por não ter procedido bem.

Falhei a tudo, mas sem galhardias,
Nada fui, nada ousei e nada fiz,
Nem colhi nas urtigas dos meus dias
A flor de parecer feliz.

Mas fica sempre, porque o pobre é rico
Em qualquer cousa, se procurar bem,
A grande indiferença com que fico.
Escrevo-o para o lembrar bem.

(Fernando Pessoa)

Os versos que te dou

Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revive-los nas
lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.

(J.G. de Araújo Jorge)

®Versi D'Amori
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Missa Profana

Nesta hora santa,
orai em meu altar de linho.
Dominus vobiscum!
Meu senhor está em mim.
Bendita sou entre as mulheres!
Alisai-me com carinho,
Curvai-vos,
Beijai meu ventre
E entre orações
E cantos
Explorai meus encantos.
Abri minha alma-missal:
Sou a boa-nova
Que se renova a cada leitura
Em mim, profana escritura.
Tomai meu seio:
É o vosso pão,
Pão da vida
Retorcida de prazer.
Comei-o com sofreguidão.
Levai meu cálice à boca,
Bebei do vinho que escorre.
Quem bebe deste vinho
Só morre de amor.
Vinde a mim,
Vosso reino,
Sou ofertório inteiro.
Comungai...comungai meu prazer
Amai-me
- Amém.

(Emília Casas)

®Pecado Poético
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Linha de Rumo

Quem não me deu Amor,
não me deu nada.
Encontro-me parado. . .
Olho em redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.

Tanto tempo perdido . . .
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campos de flores
E silvas . . .

Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.

Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.

(Ruy Cinatti)
®Versi D'Amori
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