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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

DE TI!



Terríveis foram as horas
Passadas ao largo do tempo
Sem poder ouvir os sinos de Antares
E nem ao menos, tão pouco teus olhos
Mar profundo e profano de meu eu.

Terríveis horas em poço fundo
Deserto de alma carente de ti
Vidraças opacas e impenetráveis
Varridas de vento pelo lado avesso
Enquanto meu barco ancorado ficava.

São saudades amada minha
Veste de peregrino que não compreende
A ferida aberta em seu peito rasgado
Por tão pouco e tão muito
Da lonjura de ti.

Santaroza

terça-feira, 10 de agosto de 2010

QUERO!




Na noite escura de negro olhar,
Vaga-lumes te rondam em milhar,
Pois deles tu és a estrela a brilhar,
E eu aqui querendo te amar.

Sereia és de minha paixão,
Sigo tuas pegadas pelo chão,
Como se foram em meu coração,
Posto que me tens em tua mão.

Amor, amor meu de leves asas,
Enquanto me domas me arrasas,
Me coses lento em tuas brasas,
Em grotas profundas e outras rasas.

Quero, por que quero sem explicação,
Denotas em mim uma comichão,
Misto de medo com satisfação,
Algo que arde com emoção!


Santaroza

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Me beija!


Agora, enquanto o tempo nos permite,
Arriscarei um desejo, um palpite,
Terei a ti sem véu,
Como melão e mel!
Agora, antes que se faça tarde,
Sem nenhum alarde,
Ama-me sem nenhum pudor,
Ama-me com dor!
Porque paixão não tem hora,
Vive do agora,
Almeja a hora,
Me beija senhora!


Santaroza

Agora!


Arde em meu peito
a vontade de gritar
teu nome...

é fogo
que me toma
que me consome...

desejo
tua boca
colada em mim...

um abraço
apertado
teu peito em mim...

sem pressa
de ir
embora...

como se
toda a hora
fosse o agora...

Santaroza

Dá-me!


Dá-me cá um abraço longo
Provoca em mim lá um ditongo
Base de uma preposição
Muito alem de uma exclamação.

Beija-me a boca vorazmente
Misto de fera e de serpente
Cola em mim a pele tua
Como se fôramos nós céu e lua.

Irrompe com meu acanhamento
Entra em mim venha para dentro
Não me fale deixa que eu sinta
Ruboriza-me a face com tua tinta.

Olha-me em direto no coração
Pega-o podes por a mão
Queima-me em fogo menor
E terás de mim amor maior!



Santaroza

AH! UM VERSO...


Ah! Se tivesse um verso agora para profanar o solo sagrado de seu amor!
Se fora possível revestir-me de sonhos e me inserir em seus pensamentos!
Se por esse vento que passa, galopar seu lombo, e chegar às praias de seus desejos mais indizíveis!
Se pro uma fração de segundo o tempo parasse e no vislumbrar de seus olhos me visse lá dentro!
Se fosse possível ao sugar o ar, me levasse com ele para dentro de si, para me perder em seu coração!
Se por um erro do destino seu coração fosse flechado por um cupido vesgo e seu amor fosse por mim!
Toda poesia que trago na alma não seria suficiente para apregoar meu amor por você!
Um só poema seria como a pétala de uma rosa, muito pouco diante do que para mim representa!
Porem como sei que o verso não é a chave e a poesia não é a rota, me contento com o sorriso seu, quando lê os meus poemas...



Santaroza

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Outro beijo!



Quando te encontro nas tardes de Amarilo
Sol ao chão, reflexos n’agua, areia quente
Brisa fresca, perfume doce, batom vermelho
Eu me completo, eu me acho, eu me encontro
Sinto a poesia, tenho o hálito, ouço a voz
Beijo a boca, sinto o corpo, quero mais!


Santaroza

Á margem!



Meu coração te procura
Porque essa dor não cura
No escuro ele tateia
Enredado em tua teia.

Da-me a luz de teu sorriso
De nada mais eu preciso
Nem de um beijo derradeiro
Ainda guardo o primeiro.

Nem mesmo de teu contato
Verso de primeiro ato
Quero apenas um olhar
Como se eu fosse mar.

Amigos? Pode ser
Tu é que vais dizer
Só me de esse prazer
Á tua margem viver!

Santaroza

APÓS!


Com vagar...
Como plumas e nuvens.

Em silencio...
Sussurros entre beijos.

No escuro...
Ao brilho da lua.

Em fogo...
A alma em lavas.

Ao brilho...
Do suor de nós.

Em concha...
De nossa fôrma.

Em riso...
Após o gozo.



Santaroza

CHAMA!


Tomado pelo sentimento que me invade agora,
Sem me importar se é tarde o se chove lá fora,
Guiado apenas por meu coração que te clama,
Partirei para teus braços com minh’alma em chamas!
Sedento que me encontro dos carinhos teus,
Afogado que me acho nesses desejos meus,
Voarei a teu encontro como se fora gaivota,
Seguindo o perfume teu, que me indica a rota!
Sou de ti prisioneiro, mesmo que distante,
Posto que para sempre serei de ti um amante,
Tão necessariamente quanto preciso do ar,
Tão apaixonadamente quanto quero te amar!


Santaroza

terça-feira, 4 de maio de 2010

ILHA


A fogueira da noite ainda fumegava
Brasas amarelas adormeciam dolentes
De quando em quando acordavam
Sopradas pela brisa da matutina.

Eu ainda envolto no saco de dormir
Apreciava o balet de borboletas rosa
Ao meu lado você suspira de olhos fechados
Talvez ainda sonhando com a noite anterior.

Um raio de sol rasgava a copa de um cipreste
Encaracolado de cipós de flores lilases
O mar cheirava salgado logo ali perto de nós
Demos as mãos, nos olhamos e nos beijamos.

Os pássaros se calaram quando a viram nua
Tinhas o dorso dourado e cheiravas a romã
O olhar translúcido viaja pelo horizonte
Caminhando lerda encontraste o mar azul.

Pelados na água fria da manhã raiada
Nos confortava-mos num abraço quente
O mar nos levava pra frente e para traz
Emendando a noite em mais um dia.



Santaroza

Tua pele!



Tenho no sangue o veneno do amor
Em cada osso o sabor dessa dor
Sou cavaleiro das roças da lua
Ceifo nas terras das mulheres nuas.

Não escondo ou nego que posso morder
Trago nos olhos o desejo de arder
Moro no céu nas estrelas do norte
Sinto teu cheiro e arrisco a sorte.

Já vi as bromélias das bordas de Vênus
Deitei nos canteiros de perfumes amenos
Usei de colar os anéis de saturno
Mas nunca encontrei um amor diurno.

São todos da hora em que a lua aparece
São todos fieira de uma mesma prece
Ah! Como queria um amor de jangada
Um amor de oferenda na água jogada.

Tenho nas veias o vírus do amor
Por isso é que falo sem nenhum pudor
A roupa que me veste é a tua pele
Porque vem de ti o sopro que me impele.



Santaroza

segunda-feira, 3 de maio de 2010

ANJOS!



Anjos da tarde
Esperam-me na estrada
Á sombra de amoras
Para falarem da vida
Que levo, levei e levarei
Hora de pausa
Do encontro das treze
Do almoço na mesa
Da água gelada
Tocam flautas esses anjos
Sabem, inda falta à metade
O meio da faina
Não da pra sonhar
Mas da pra pensar
Será que depois
Te verei solteira
Te verei disposta
Te verei a fim
Os anjos sabem
Mas não se atrevem
Não dizem!


Santaroza

DESERTO!


Deserto!


Anjos do vento
Me tocam a face.

Pelas narinas
Me entram o mar.

Sinto gosto de sal
No beijo da brisa.

Vejo gaivotas brancas
Já bem perto do sol.

Meus rastros na areia
Não têm direção.

São passos sem passos
De meu coração.

Prenuncio de noite
Raiar de luar.

Varanda vazia
Rede sem dono.

Lampião apagado
Coração em deserto.



Santaroza

Janela da alma!*


Me fascina
Me domina
Essa alma feminina
Que não termina
A rotina.

De me tocar
E me ganhar
De me abraçar
E me pegar
E me atar.

Abre o botão
Do coração
Pra me mostrar
Para se dar
Aqui no chão.

E me comove
E me demove
E quer que prove
De seu desejo
Em seu beijo.

É andorinha
É só minha
Não esta sozinha
Estou com ela
Em sua janela.

Santaroza

sábado, 6 de março de 2010

Contando estrelas!




















A gaivota que voa ligeira
Bailando por céu anil
Não sabe de minha cegueira
Nesse veneno sutil!

Amor que me encharca o peito
Rebentando feito mar
Já se tornou meu defeito
Conjugar o verbo amar!

O mar que afaga a praia
Não me escuta o coração
Me fere como arraia
O assopro de sua canção!

Não sabe o sol no poente
A saudade que me invade
Deixa à areia inda quente
E meu peito em tempestade!

À noite sim me completa
E me traz inspiração
Afinal só sou poeta
Contando estrelas no chão!



Santaroza

"CRER"















Não creio mais nos sorrisos vesgos que se calam em valas rasas quando lhes convém,
Não acredito nos apertos de mão que se tocam de raspão para depois se esmurrarem,
Não creio nas falácias explicativas de soluções fáceis para a erosão do caráter geral,
Não acredito nas benesses de quem da o peixe e aumenta o gás de cozinhar e o feijão,
Não creio na causa partidária, meretriz ordinária vendida de deu em deu no maior bordel,
Não acredito mais na honestidade, obra de caridade, para vencer a desonra festiva,
Já não creio mais em tantas coisas que tenho medo de contar nos dedos quantas me faltam descrer,
Já não sei mais definir o certo e o errado, tudo se apresenta demasiado pardo,
Não sei se sou só eu a sentir, mas algo me parece feder enquanto as hienas uivam,
Só sei que apesar de não crer me resta a fé que me da o poder de ainda me indignar e escrever!




Santaroza

sexta-feira, 5 de março de 2010

AUSÊNCIA!











Quão terrível é esse sentimento,
Range na alma como lamento,
Tapa os olhos como cimento,
Leva-nos a vida pelo vento,
Transporta-nos por momentos,
De solidão e ferimentos!
Como dói uma saudade,
Não é sentimento é maldade,
Que rasga o peito sem piedade,
Expulsando-nos a realidade,
Do sorriso e da felicidade!
Quem me dera pudesse voar,
E pelo mundo te campear,
Pra novamente te encontrar,
E em podendo, te abraçar,
No teu ouvido declarar,
Só te busquei para te amar!

Santaroza

A COR DO PECADO!


















A cor do pecado,
Tem a tua cor,
Tem teu cheiro e sabor,
Tem teu calor,
É a tua cara de amor,
Tem teu jeito de flor,
E é sem pudor,
Pois é puro ardor,
A chama de teu fulgor,
Meu corpo no teu afogado em amor,
Como musica e trovador,
A romper a madrugada a beijar o teu suor,
De gota em gota no teu corpo, como um beija-flor,
A devorar o teu néctar com carinho e furor,
Pois que o pecado tem a tua cor!



Santaroza

quarta-feira, 3 de março de 2010

Amor eterno!



















A tarde já tem olhos de noite, e cansada se deita ao relvado esperando por estrelas e por um vento que lhe sopre as saias, que lhe arrepie o dorso, que lhe enrubesça as faces, que lhe roube um sorriso, que lhe faça feliz em meio aos cochichos do mar.
Á tarde tu és morna como a tarde, á noite ardes em teu próprio feitiço e uivas com as matilhas que passam encantadas com a lua que já se desnuda no por vir, mais tarde me devoras em lânguidos gemidos, e pálida tal e qual a lua que nos espia declaras-me amor eterno!


Santaroza