
quarta-feira, 30 de junho de 2010
IMORTAL

Imortal
É quem sabe ler os lábios,
Obedecer aos olhos,
Ouvir o silêncio interior
E arrepiar a pele sem tocá-la.
Imortal
É quem sabe beijar sem boca
Nas horas mais agônicas da vida,
Inebriar-se com paisagens alheias
Mesmo com vendas escuras nos olhos,
Abandonar o sono letárgico
Sem a ajuda cruel do despertador,
Deixar-se penetrar sem fendas
Como óvulo à mercê do espermatozóide.
Imortal
É quem sabe amar sem coração.
É quem sabe absolver sem penitências.
Escrever sem palavras.
Perdoar sem crença.
Rezar sem fé.
Ensinar sem nunca ter aprendido.
Imortal
É quem morre à noite
Como um anão derrotado
E ressuscita na manhã seguinte
Como um gigante indomável,
Todos os dias,
O tempo todo.
Oswado Antônio Begiato
DECLARAÇÃO DE DESEJO

Minha querida e minha amada,
enamorado de ti mulher
e de teu corpo repleto de cio
ardo em febre,
sonho contigo e não te deixo saber.
De um lado do alforje
que trago nos ombros
(o lado virado para a terra)
guardo tantas estrelas,
recolhidas de minhas alucinações,
que possível seria inventar um céu
só para acolher teu corpo desvelado.
Do outro lado do alforje
(o lado virado para o mar)
guardo tantas tormentas
e tantos raios e tantos relâmpagos
- eles criam meus desejos
consumados em fogo eterno -
que seriam capazes de me deixar louco
e virar-me ao avesso
enquanto que enfebreço
com o cheiro de fêmea que exala
o teu corpo tenro e arrepiado.
Todos meus pecados
Tem a tua presença.
A presença de teus seios pequenos
Alimentando minha boca sem medos;
A presença de teus lábios roxos
Sufocando meus beijos ávidos;
A presença de tuas coxas balsâmicas
Envolvendo as minhas pernas lassas;
A presença de teu sexo úmido
Incitando minha irrequieta tesão.
Todos meus pecados
Tem a tua presença.
A presença de teus seios pequenos
Alimentando minha boca sem medos;
A presença de teus lábios roxos
Sufocando meus beijos ávidos;
A presença de tuas coxas balsâmicas
Envolvendo as minhas pernas lassas;
A presença de teu sexo úmido
Incitando minha irrequieta tesão.
Toda minha volúpia incandescente
Se faz acabada quando doce me permites,
com meus dedos bobos e trêmulos
E minha língua ágil e salivada,
Te vasculhar as fendas mais lúbricas.
Todos meus ímpetos insopitáveis
São amainados pelo teu ventre
Que acolhe meu sêmem
Quando, com meu sexo rijo,
Te penetro como homem
E te amo como anjo saciado.
Oswaldo Antônio Begiato
TERNURA

Com as estrelas que deixei cair
de minhas asas de borboleta-transparente,
pedi à minha fada-madrinha
que bordasse, com linhas do infinito,
uma noite somente para meu amor.
E com as flores que deixei cair
De minhas folhas de violeta amadurecida,
Pedi ao meu anjo-da-guarda
Que bordasse, com linhas de eternidade,
Um céu branco e lilás
para ser o dia da noite do meu amor.
Oswaldo Antônio Begiato
CINZAS DA SANIDADE

Varro o chão
Onde caíram as palavras comportadas
Que por entre dedos gélidos
De minhas mãos rudes
Deixei escapulir, por obstinação.
Junto-as e cremo-as.
As cinzas, entrego ao vento;
Leve-as ele para bem longe de mim,
Fantasma que são
Do poema reto
Que não me permiti consumar.
Não lapido as palavras.
Não destilo as palavras.
As lapidadas,
Deixo-as aos jovens apaixonados.
As destiladas,
Aos que delas se tornaram amantes incorrigíveis.
Quero-as selvagens,
Cheias de quinas e fios,
Cheias de doenças e vícios,
Para que quando brotarem de dentro de mim
Rasguem-me a carne,
Contaminem-me o sangue
E façam-se poemas tortos:
Eles me conferem vida intensa.
Não quero, pois o poema da breve paixão,
Nem o da paixão amancebada:
Eu vou é me casar, para sempre, com o Cântico Negro.
Oswaldo Antônio Begiato
A ROSA DE NOSSO ETERNO AMOR

Naquele domingo à tarde,
em que todas as criaturas
se encantavam em calcular
a Unidade Astronômica
você veio com a idéia
de construirmos uma flor.
Você faria o projeto
da semente, da brotação...
A mim caberia fazer
a fórmula do perfume,
e o voto de eternidade.
E nós chamá-la-íamos de
A Rosa de Nosso Eterno Amor.
Mas veio a segunda-feira
e com ela os homens frios,
com seus tratores pesados,
com suas mantas de asfalto,
nos enfeitaram com flores
construídas de plástico
e nos puseram no andor,
no andor cheio de passos,
cheio de passos alheios.
Oswaldo Antônio Begiato
DESTERRO

Retiro-me para o asilo de minhas palavras.
Não me digo nada e quando o digo não me ouço;
Não há muito que dizer e menos ainda o que ouvir
Na estreiteza deste canto onde isolo meus alicerces.
Deixo-os ali repousando longamente.
Não me é necessário ver muitas coisas
Nem que vejam o estado do meu rosto.
Cubro-me com os primeiros andrajos que se me apresentam
E muitas vezes me esqueço de pentear os cabelos,
Banho-me raramente em águas
Sem perfumes
E adormeço quando o sono pesa-me à cabeça,
Sempre tarde, e cedo desperto.
Às vezes não adormeço para não ter que despertar.
Como pouco e fumo e bebo muito.
Minhas veias se ressentem dos exageros.
Tudo é tão vago e distante.
Cumpro estritamente o meu direito de viver,
Não vou além das minhas forças.
Emagreço e minha palidez é clara,
Minhas forças se perdem com o tempo,
Meus passos se tornam trôpegos,
Meus braços não sustentam o peso de minhas mãos,
Mãos que outrora quiseram ser generosas.
Não tenho vontade de recolher o pão,
Pão duro, que se acha espalhado pelo chão
Tampouco a vontade de acender as achas
Do forno que produz o pão novo.
Retiro-me para esse anacrônico lugar
Desfazendo-me de minhas aborrecedoras mágoas.
Não mais as revelarei a ninguém,
Não as darei ao tempo para que cuide delas.
Despejo-as para fora de mim,
Não as quero mais comigo.
Que o vento as leve para longe,
Muito longe do meu reticente coração.
Porque eu...
Eu vou é viver livre
Esta minha vida.
Leve-me ela para onde me levar,
Traga-me ela as dores que me trouxer.
Que eu seja doído como a verdade.
Oswaldo Antônio Begiato
segunda-feira, 28 de junho de 2010
FLOR BRANCA

Que você nunca se aparte
Da delicada orquídea branca
Que traz em seus cabelos;
Pedra rara em jóia única.
Que você nunca ceife
Seus cabelos alongados
Que lhe cingem a cintura;
Mistério feminino do existir.
Que você nunca negue
Sua cintura às minhas mãos;
Elas ainda têm o brando perfume,
Da orquídea branca que lhe ofertei.
Que você nunca se aparte
Da imaculada orquídea branca
Que traz em seus cabelos;
Insígnia de meu devotamento.
Oswaldo Antônio Begiato
AVESSO

Sou teu avesso.
Há sempre em ti um riso
escandaloso,
que afaga meu choro
acanhado,
um alongar-se
que me abre os estreitamentos.
Sou sempre anulares
e tu, aliança eterna.
Tens um coração
que se mantém atento
e não esquece meiguices,
o meu carente
e cheio de calos
de tanto bater em falso.
E por isso te amo
e te amo até me doer
a raiz dos cabelos.
Mas mais do que te amar,
amo-te quando me falas
que me amas.
E eu sei que é tudo mentira.
Oswaldo Antônio Begiato
APAIXONADA
Vens e dizes estar
Dissolutamente apaixonada.
Que sou tua reta e indivisa vida,
Que todas as tuas pertenças
São agora minhas pertenças:
Teu riso incontido,
Tuas lágrimas safíricas,
Teu sexo sequioso,
Teus descaminhos justos,
Teus arrependimentos tolos,
Teu coração indômito...
Até tuas mais incertas tristezas
Juras que me pertencem.
Juras que me pertencem
Todas as tuas juras.
E fico eu cá no meu canto
Tentando buscar a razão disso tudo.
O que em mim pode ter te encantado tanto,
Se sou, dentre os grãos dourados
Da areia da praia, o menorzinho
E você quase contém o mar todinho
Apenas em um único e terno olhar?
Teria sido a poesia que fingi escrever,
Ou os encantamentos delatores
Que de meus olhos escaparam
A primeira vez que te encontraram
Vestida de primavera e sol?
Oswaldo Antônio Begiato
AGRADECIMENTO A POETISA ELY PALLO
AGRADECIMENTO A POETISA MANYPALLO!
domingo, 27 de junho de 2010
VENTO DE ABSINTO.
Atração...
Paixão...

“Me apaixonei por você..
No começo foi brincadeira
Você me olhava
eu te olhava
a cabeça eu abaixava
fingindo ñ me importar...
A culpa foi da sua boca...
Ah a sua boca!!
Que sorria enquanto falava
aquele sorriso maroto
sua boca sensual...
Juro que ñ queria
foi tudo sem querer.,
mas agora ñ tem jeito
Fica comigo menino
"Me apaixonei por você"...
ELY
SEREI SOL
SUA BOCA
POR VOCÊ
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Brisa...
POR VOCÊ
quarta-feira, 23 de junho de 2010
PERDER EM VOCÊ

Já gritei na sua boca
O amor que trago
Já silenciei meu corpo
Em meio a luzes.
Já me perdi nos abismos.
Já vi miragens...
Já degluti o espaço que nos cabe.
Já me extasiei em sentimentos,
Nesse universo que te amo
Vivo agora os sonhos de mil anjos
Entre acácias e gerânios,
Essa paixão.
E comungo num
Só gole do seu ar.
ManyPallo
EU CREIO

Eu creio em fadas
Na ternura do seu voar
Creio em anjos
Quando temo ao sonhar
Eu creio na voz do vento
Na serenidade que me traz
Creio na alma de uma flor
Pela suavidade que inspira
Creio no sorriso de uma criança
Pelo caminho que me indica
Creio nos mistérios,
Da lua, que tão nua,
Vive a versejar.
Eu creio em um Deus
Que me fez acreditar
Nas pequenas coisas
Que a vida me dá
ManyPallo
CAMINHANDO SÓ
O QUE VOCÊ DIRIA

Se contasse, que chorei
Lendo seus lamentos
Acrescentando ainda mais
Minha dor.
O que diria
Sabendo, que o cheiro
Das suas palavras
Aflora na pele
Desfazendo-me em delírios
O que diria
Se contasse
Que refaze ria o mundo
Só para te encontrar primeiro
Que digo para o coração!
Que guardei
Todos esses sentimentos
No vácuo mudo da voz
E também
Poeta me tornou?
Manypallo
A VOZ DO CORAÇÃO
terça-feira, 22 de junho de 2010
COMO ESQUECER
SEUS PASSOS
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